segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O cochicho do demônio

Li este texto do Luiz Felipe Pondé, na Folha de São Paulo (apesar deste jornal ter utilizado a expressão "ditabranda"). Como o conteúdo é limitado, resolvi reproduzí-lo aqui:

LUIZ FELIPE PONDÉ

O cochicho do demônio

Huxley acertou em sua visão de um futuro asfixiado pela vida científica e calculada


NÃO ACREDITO na educação. Sou professor, do tipo que gosta do "chão da sala de aula", detesta as burocracias e os projetos pedagógicos para uma educação política e científica. Meu ideal de educação? Deixemos quem gosta de dar aula tocar a escola, esqueçam os burocratas que acreditam na educação. Desconfio das teorias pedagógicas e dos pedagogos.
Quando amamos o que fazemos, fazemos porque, em nós, aquilo é como um vício. Sinto falta das inquietações e das tentativas desastradas de colar nas provas. Em meio a esse alvoroço, trocamos ideias sérias sobre o sentido da vida e da morte e sobre o que cai na prova. E sobre quem está "pegando quem". E sobre quem é a menina "fácil" e sobre quem é o cara que não "pega ninguém".
No chão da sala de aula, não há muita distância entre o sentido da vida e a alegria de quem passa e a agonia de quem "dança". Tampouco há muita distância entre a crítica nietzschiana do ressentimento e quem é amado ou desprezado pelos colegas e, por isso, nunca é convidado pra festas. Ou entre Marx e o medo que cresce à medida que a formatura se aproxima e você sabe que logo se descobrirá tão barato quanto uma pasta de dente. Ou entre Freud e o quanto seus pais são infelizes e como essa infelicidade arruinou seus próprios recursos psicológicos diante desse labirinto infernal em que se transformou a dita relação amorosa.
Acreditar na educação é crer que com ela criamos novos seres humanos. Isso não acontece porque a maioria de nós professores, como todo mundo, ganha menos do que queria, é mais infeliz do que esperava, é mais sozinho do que sonhava, é muito menos importante do que imaginava. Esse não costuma ser um perfil indicado para "criar novos seres humanos" porque nele facilmente brota o rancor, o fracasso, a inveja e, por isso mesmo, a mentira.
A maioria de nós acabou como professor por falta de opção ou ilusão juvenil ou incapacidade de enfrentar o mercado profissional ou porque sonhava em ser um novo Marx ou um novo Freud. Quem crê que a educação cria novos seres humanos o faz para disfarçar seu cotidiano ordinário, é uma mentira contada a si mesmo todo dia.
O conhecimento é um risco e não uma ferramenta de alegria. Um fardo, uma dádiva de um Deus que parece torturar os covardes ou uma sequela de uma seleção natural sonambúlica e cruel. A educação é um ofício que nos prepara para nosso destino. Uma conversa infinita entre mortos e vivos sobre o enfrentamento desse fardo, que nos une a todos no mesmo tecido cego. Aldous Huxley, em seu monumental livro "Contraponto", nos fala do "cochicho do demônio".
O escritor inglês é mais conhecido por sua obra "Admirável Mundo Novo", aquela mesma que as almas superficiais pensam ter sido uma profecia fracassada. Não! Pelo contrário, Huxley acertou em cheio em sua visão de um futuro asfixiado pela burocracia, pela alegria e pela saúde, enfim, pela vida científica e calculada. Não se deixe enganar pela estética metálica das roupas ou da arquitetura, ou pelo sistema centralizador de seu mundo admirável.
Lembre que vivemos em shoppings nos entupindo de alegria, pensando em alimento saudável e calculando o colesterol, correndo em esteiras em academias, pesquisando parceiros que possam trazer saúde para os filhos que pretendemos ter, tomando remédios que nos deixem felizes como apenas os cegos conseguem ser, temendo o tempo todo o que esse monstro, "o poder informatizado do povo", decidirá sobre nossa vida, enfim, escravos ridículos da ciência e sua mania de sucesso fisiológico e de qualidade de vida.
No indivíduo, a ética da saúde total gera maus comportamentos à mesa (viramos aquele chato que sempre pergunta sobre os nutrientes do que nos servem). No coletivo, vira fascismo mesmo.
Mas o que é "o cochicho do demônio"? Huxley diz que a alma que a ele sucumbe torna-se estéril, morre esmagada por um "coração seco como poeira". O cochicho do demônio, que resseca a alma, é o hábito exaustivo de mentir para si mesmo.
O que Huxley denuncia em sua obra é a vida científica (ou a mentira que afirma a beleza de todos os homens) como a mentira moderna por excelência. É a crença de que finalmente chegamos a um porto seguro. A alma morreria se habitasse um porto seguro. Uma educação para a utopia da vida científica desumaniza. Deixa a alma seca como poeira. Um vaso limpo, sem sujeiras ou incoerências, de onde nada brota.

ponde.folha@uol.com.br

Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1801201013.htm, acesso em 18.01.2010.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Não pague pedágio, vá de bike!

Hoje acordo com a dor habitual nas costelas. Pois é, semana passada caí de bike, pronto falei. E fudi meu joelho, cotovelo e as costelas. Nenhum osso quebrado ou ligamento rompido. Mas as costelas ainda doem. Acordo cedo e com a promessa de ficar em casa, mas ao mesmo tempo lembro que tinha uma pedalada até o pedágio das praias. Fico uma hora me enrolando, mas para não me arrepender depois, pego a bike e vou ao encontro do Vitor, Buga e do Cooper. Eles sairam da Reitoria, lá na Dr. Faivre e eu os encontrei na esquina da João Negrão com a Silva Jardim. Resumidamente, foram 30Km de ida, com direito a calibrar o peneu com CO2, doer o saco, sentir os dedos formigando, suor pacas, muita água e até protetor solar em aerosol. Ao chegar no pedágio, tomamos aquela cerveja merecida, fumamos um cigarro, tiramos fotos que postarei depois e voltamos. Mais 30Km e ao todo foram 60Km. Só que a primeira parada foi no Recanto Gaúcho, uma churrascaria honesta e barata. Depois tomei um café e casa. Valeu a pedalada, é a primeira de várias. E não paguei pedágio porra nenhuma. Eis o link do trecho inicial.


Exibir mapa ampliado

sábado, 16 de janeiro de 2010

Antonina


Foi nesta casa amarela que meu vô passou os últimos verões da vida dele. Em 1994 diz que ele ia comprar aquela casa, pois Guaratuba não mais lhe apetecia, mas isso é outra história. A história que antecede é tão pitoresca das que as sucedem. Disse o meu avô a minha avó que tinha visto uma casa em Antonia e queria comprá-la. Não sei por que cargas d'água ela não tinha gostado da idéia e vinha solenemente se opondo a casa e tudo mais. As negociações vem e vão e no dia em que o avô ia fechar o negócio, minha avó foi junto para melar a compra. Esse plano era simplesmente infalível. Mas ao chegar e ver a casa, cuja frente dá para a praça central, com direito a coreto e tudo mais, e dos fundos vê-se a baía de antonina, minha avó se apaixounou pelo lugar e desistiu do seu plano infalível. Nem preciso dizer de quanto foi bebido, dançado, comido, cantado, dormido e tudo mais que um ancião aproveita antes de encontrar a morte. Antonina nunca mais foi a mesma para mim.

P.S.: Senti um sopro de saudades ao ver esta foto do Gilson Camargo bo blog dele, Olhar Comum. Link: www.gilsoncamargo.com.br/blog/?p=2514

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Fumando, hein!

Bella, amiguinha do Rafael Trucker.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Sexo é vida! Sexe!

Este resumo não está disponível. Clique aqui para ver a mensagem.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Volto logo.

sábado, 26 de dezembro de 2009

É verdade que você vai comprar uma bicicleta sem freios?

Massan from MACAFRAMA on Vimeo.

Foi o Diego que mandou o link para o Guilherme, que postou no blog dele e mandou para mim, que gostei muito, que conheci o Gunnar, que tem uma fixa, que andei uma vez, que é amigo do Vitor, que postou uma fixa no blog que ambos tem, que estava a venda na bike tech, que fui lá e estou aqui.

Mas afinal é o que é roda fixa?

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Clica aqui ó!


O Luciano tinha problemas em criar um blog. Onde ele escrevesse sobre o que quisesse, daí fiz um e convidei ele. Não deu certo. Ele nem sabia criar uma conta no gmail e tal. Foi ontem que passei na casa dele e resolvi dar uma ajuda e criar um para ele. Deu certo! Nasceu o Navalha na Mão do Makaco, um espaço vitual em que o Luciano, vulgo makaco devaneia entre direito, poesia e sei la mais o que. Bem, putaria não vai rolar, até por que ele é um sujeito respeitoso, casado e com filhos. Vale a pena conferir.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Salero


"Vegetarianismo é uma fase que passa", sentenciou meu caro amigo Paulo Henrique. E àqueles que tem uma recaída ou simplesmente não admitem viver à base de mato, uma bela opção é o restaurante Salero. É uma casa de carnes que serve carnes, pois hoje em dia tem churrascaria que serve massas, bacalhau, comida árabe, paella, sushi, sashimi e por acaso carnes grelhadas e assadas, veja só. E o mais irônico disso tudo é tem outras churrascarias ou restaurantes que servem carne, tal como o Autebequi, ou Otebek, ou Otibak, ou coisa que o valha, cujos pratos preferidos, segundo outro amigo são aquela cebola frita e o peixe com molho. Pois é, depois dessa num coloco o pé nesse restaurante, por assim dizer. Bem, voltando ao Saleiro, que realmente serve carne, um hamburguer, sem a pretensão de anunciar em inglês o melhor hamburger do mundo, e para os vegetarianos uma saladinha.
Ao que interessa: lá tem picanha, filé argentino, bisteca de porco, cordeiro e os cambau. Acompanhamentos sinceros e sem viadagem: maionese de batatas, farofa, salada, batata frita, arroz branco e para por aí. O ponto alto é o tal do "prime rib", que é o lombo do boi servido com a costela e tudo, aliás, é entre a sexta e a décima primeira vértebra da coluna do boi. São quinhentos gramas de carne para saciar a vontade de comer um bom corte ou para largar de vez o vegetarianismo. Bom apetite e boa sorte!

Serviço:
Salero, Rua XV de Novembro, 818, Centro, Curitiba. Horários: Segunda a sábado das 11h30 às 15 horas. Jantar a partir das 19 horas.
Salero Shopping Barigui Park - Piso G5 Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 600 41 3317-6305

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Fixolimpiadas


O que é isso? Trata-se do segundo maior espetáculo da terra. Tá e daí? São provas pouco ortodoxas visando explorar as capacidades da bicicletas fixas e a habilidade de seus donos. A meu ver é mais um motivo para se reunir beber, andar de fixa e dar muita risada. E alguns tombos.

Maiores informações www.rodafixa.com

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Quem avisa, amigo é.

Segundo os manuais e demais livros de economia, externalidade é aquilo que é produzido inoluntariamente por alguém (uma empresa) e o efeito não é absorvido por ela. Daí tem a externalidade positiva, outros se aproveitam do efeito lucrativo deste efeito e a negativa, outros sofrem com esse efeito. Pois bem, a discussão do cigarro se encaixa nessa categoria, não fumantes suportam externalidades negativas dos fumantes e por isso devem serem banidos, segundo a legislação estadual e municipal (apesar de já existir lei federal sobre o assunto muito tempo atrás). A idéia deste post não é falar sobre compentência concorrente, mas sobre externalidades. A solução foi atacar onde mais dói nas empresas, no bolso, com uma fiscalização rigorosa.
E um artigo, publicado na Folha de São Paulo de 30.11.2009, que recebi de uma amiga (obrigado Sheila), cujo o teor reproduzo aqui, dá um formidável panorama do que está por vir. Só quero ver quando for proibido de fazer aquele churrasco de final de semana. E olha que tem bastante fundamento para isso. Quem avisa amigo é.

"SP combate poluição da pizza e da picanha
Prefeitura paulistana começa a mapear churrascarias, pizzarias e outros micropoluidores para evitar queixa de vizinho

Fumaça que incomoda morador pode gerar multa de até R$ 500 mil; plano busca fazer comerciante seguir normas para fornos

JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
DA REPORTAGEM LOCAL

Depois do cigarro, é a fumaça incômoda de fornos a lenha que fizeram a fama de milhares de pizzarias, churrascarias, padarias e restaurantes de São Paulo que entra na mira dos fiscais da prefeitura paulistana.
Pela primeira vez, a prefeitura vai mapear os micropoluidores -aqueles que lançam pouca fumaça, mas em volume suficiente para perturbar a vizinhança e aumentar aquela névoa quase diária na cidade.
De pizza em pizza, as quase 6.000 pizzarias de São Paulo consomem uma enorme quantidade de lenha -mesmo uma simples, de mussarela, chega a consumir 1 kg de madeira.
A fumaça que no início parece perfumar a casa com aquele cheiro bom de pizza fresca vai, aos poucos, se revelando inimiga, conta o professor Luiz Vadico, pesquisador da faculdade Anhembi Morumbi, que mora em Moema, bem próximo a casas que somam cinco fornos.
"Fiquei com problema respiratório. No inverno, você vê a neblina do meu apartamento [18º andar]. Começa leve, mas depois você vai percebendo. E tem de aguentar até as 22h", diz o também blogueiro Vadico.
No Ipiranga (zona sul de SP), um conflito morador versus pizzaria entrou para o folclore do bairro. M. M.J., irritado com um forno bem ao lado de casa, colocou uma faixa dizendo que o local poluía o bairro.
Inconformada, a dona da pizzaria foi à Justiça para obrigar o incomodado a retirar a faixa. Entre discussões e laudos, a comerciante venceu, e a Justiça condenou M.M.J. a retirar o protesto da fachada da casa, sob pena de multa diária de R$ 50.
Esses casos são a principal razão para o programa, diz a médica Clarice Umbelino de Freitas, que coordena o projeto na Covisa (Coordenadoria de Vigilância Sanitária) da Prefeitura de São Paulo.
São cerca de 70 reclamações por ano na Covisa, mas o número é bem maior, porque as pessoas podem se queixar nas subprefeituras, pelo telefone 156 e na Secretaria do Verde.
Segundo Clarice, um piloto do projeto será iniciado pelas subprefeituras da Vila Mariana e do Ipiranga. "Vamos mapear todos os micropoluidores, fazer reuniões e distribuir cartilhas. Há um desconhecimento das normas para manter fornos."
Churrascarias são obrigadas, por exemplo, a não usar madeira de restos de construção, que têm resíduos de tintas e solventes e podem deixar cheiro no alimento. Também é necessário instalar filtros no forno e manter chaminés que mandem a poluição para longe das casas.

Multa alta
As multas, em caso de descumprimento, são pesadas e podem alcançar R$ 500 mil, mas geralmente esse valor cai muito porque é renegociado e as autuações normalmente buscam obrigar o estabelecimento a se enquadrar.
Em maio de 2008, a Secretaria do Verde aplicou multa de R$ 20 mil a um restaurante em Santa Cecília, porque a fumaça era percebida pelos vizinhos.
Em janeiro, a multa caiu para R$ 2.000 depois que o local se comprometeu a instalar o sistema de controle de poluentes e apresentar ao menos um relatório a cada seis meses.
Esses embates morador/fumaça poderiam ser menos frequentes se a prefeitura tivesse adotado o programa antes, avalia Adilson Barboza, diretor-executivo da Associação das Pizzarias Unidas de São Paulo.
"Fui à prefeitura tentar saber, mas ninguém conseguiu dizer como deve ser uma pizzaria. É positivo que haja o programa. Não queremos incomodar." Mesmo sem regras claras, diz ele, o setor vem se adaptando com a troca de fornos a lenha pelos a gás e usando madeira especial. 'Usamos biomassa de baixa emissão de poluentes.'"

(Fonte: Folha de São Paulo, Cotidiano, 30.11.2009, link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/inde30112009.htm ou http://www.linearclipping.com.br/MMA/m_stca_detalhe_noticia.asp?cd_sistema=267&cd_noticia=959719

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O Vingador

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Samosas na Osório

Gosto de comer comida de rua, na feira, em barraquinha e assim por diante. E de tempos em tempos na Praça Osório, onde tem um busto do Mel Brooks, acontece uma feira de artesanato. A bola da vez é o natal. São pindurucalhos e uma pá de quinquilharia natalina para deixar qualuqer ateu nauseabundo. Ateus, cristãos e crentes em geral, uní-vos em torno do perpasto pantagruélico que pode ser essa feira: pierogui, espetinho, acarajé e assim por diante. Uma verdadeira volta ao mundo em torno do chafariz, cuja frustração foi não poder ter tomado banho quando passei na faculdade de direito, que era ali perto. Voltando ao tour gastronômico, sugiro a barraca das samosas, que são parecidas com empanadas, porém com uma massa temperada e frita. Ah, e o receheio é totalmente diferente e bem exótico. Nesta barraca em especial tem samosas de palmito, ervilha, soja e outras coisas mais. Uma delícia. Como diria um amigo meu que imita o típico curitibano: "Orrrrra, TE-SÃO!!!".
P.S.: As fotos eu posto depois.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Última noite de fumo em Curitiba


Quem se lembrou, foi convidado a ir no Armazém Fantinato. Quem não foi sifudeu, pois velamos os últimos minutos de liberdade de fumar e os primeiros dos meus 34 anos. Pelas minhas contas, foram quatro carteiras de Davidoff, uma dose de cachaça de butiá, de jabuticaba, uma porção de anchovinha, três bifes azedos, calabresa na chachaça, muita serra malte e meio litro de água gelada. Agradeço a todos que foram!

Quem não fumou depois da meia noite virou cachorro.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Bike na parede

Bike e arte do Guilherme Caldas.